Reforma eleitoral pode realizar o sonho de quem quer mandato sem ter voto, afirma jornalista
Em meio às articulações políticas em Brasília, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reuniu líderes partidários para começar a desenhar uma proposta de reforma eleitoral. A iniciativa merece atenção, pois pode abrir caminho para mudanças que reduzam o peso da escolha direta do eleitor na composição do Parlamento.
Um dos pontos que exigem maior debate é a possível adoção do voto distrital e, principalmente, a definição de quem ficará responsável por desenhar os limites desses distritos. A divisão territorial não é um detalhe técnico: pode determinar quem terá condições reais de conquistar uma cadeira no Legislativo.
Um exemplo no Rio de Janeiro ajuda a entender o risco. Se um distrito reunir bairros de maior poder econômico, como Leblon e Barra da Tijuca, comunidades populares, como a Rocinha, poderão ter ainda mais dificuldade para eleger um representante próprio.
A reforma, apresentada como uma proposta de modernização do sistema eleitoral, precisa ser discutida com transparência. Afinal, mudar as regras de escolha dos parlamentares pode significar muito mais do que reorganizar o mapa eleitoral: pode favorecer candidatos com influência e estrutura, enquanto enfraquece a representação de parcelas da população.
Por Elio Gaspari
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